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O chef dos chefs

postado em 23 de abr de 2015 07:14 por Guilherme Caldas   [ atualizado em 23 de abr de 2015 13:29 por Bete ]

    Pessoas que amam o que fazem costumam ser vitoriosas em seus ofícios. Servem de modelo, de inspiração. Aqui, reservamos um espaço para homenagear alguns desses exemplos que merecem ser seguidos.

    E o primeiro não poderia ser outro que não o consultor gastronômico Marcelo Jacobi, que nos deixou no ano passado, mas cujo legado para a gastronomia do Rio Grande do Sul é incomensurável.




    Marcelo era um apaixonado, vivia a gastronomia em todas as suas dimensões. Foi visionário: ainda no auge do hotel Everest, trouxe a Porto Alegre chefs como Emmanuel Bassoleil, Francesco Carli, Claude Troisgrois, Laurent Suadeau, em um tempo em que não havia gourmetização de nada, e a gastronomia ainda não estava na moda.

    Se Porto Alegre vive hoje a onda de food trucks, confrarias gourmet, bistrôs e alta gastronomia muito disso se deve ao Marcelo Jacobi, que desbravou esses caminhos. Ele faz da boa mesa sua profissão. Não foi um cozinheiro e muito menos um chef, mas ajudou a formar muito deles, deu oportunidade a inúmeros outros. Marcelo Jacobi foi um vencedor.

    Com um problema físico de nascença. Os médicos alertaram dona Gecy, mãe de Marcelo, de que ela deveria se preparar para sustentá-lo por toda a vida, uma vez que acreditavam que nunca seria capaz de andar. Só não sabiam que Marcelo era um guerreiro, que não desistia nunca. A dificuldade de locomoção nunca foi um empecilho. A impressão era de que, ao contrário, servia como um desafio que buscava superar a cada momento.

    Estudou nos Estados Unidos. Na volta, ajudou a mãe e tocar a casa de chá da família. Em seguida, deu início à carreira de consultor gastronômico. No hotel Everest, criou os jantares com os melhores chefs, trazidos do centro do país.

    Foi meu parceiro e do caderno Gastrô, do jornal Zero Hora, em todas as dez Mostras Nacional ZH Gastronomia que trouxeram a Porto Alegre grandes nomes nacionais e internacionais.

    Nunca os holofotes estiveram voltados em sua direção. Seu campo de atuação eram os bastidores. Trabalhava para que cozinheiros e chefs brilhassem. E era muito bom nisso. Falar em gastronomia do Rio Grande do Sul é falar, necessariamente, em Marcelo Jacobi.